A importância do ERP no Setor do Retalho

Nuno Figueiredo

Board Member, Sales&Marketing, Abaco Consulting

Artigo de Opinião de Nuno Figueiredo, Board Member, Sales & Marketing, Abaco Consulting, para a Grande Consumo, página 14: https://grandeconsumo.com/edicoes-revista/grande-consumo-n-o-74/#.YoOvOajMK3B

Nos dias de hoje, qualquer organização que pretenda sobreviver e desenvolver-se no atual ecossistema organizacional, independentemente do seu setor de atividade, deve olhar para os conceitos “inovação” e “transformação” como foco primordial dos seus negócios. Ou seja, perante um mercado cada vez mais competitivo, é urgente que as organizações, mais do que nunca, se diferenciem da sua concorrência, na medida em que pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso empresarial.

As empresas do setor do retalho sentem, cada vez mais, a necessidade de reinventar o seu negócio com o intuito de se manterem competitivas e conseguirem acompanhar as atuais tendências e exigências do mercado. Esta crescente preocupação deve-se, essencialmente, às alterações de comportamento da sociedade face ao consumo, sobretudo no último ano e meio, o que levou a que as marcas passassem a ter uma preocupação muito maior com as necessidades no Cliente. Nos últimos anos, temos assistido a uma evolução considerável, no que diz respeito à adaptação dos produtos segundo os interesses dos destes, apresentando características disruptivas, de modo a torná-los mais competitivos.

Desta forma, tornou-se, fulcral, para qualquer organização, conhecer os hábitos de consumo e interesses dos seus clientes, de forma a ser possível direcionar o produto e as ofertas e, consequentemente, aumentar as vendas e as margens do seu negócio.

O setor do retalho, como conhecíamos, já não existe. A indústria está agora a renovar-se e adaptar-se, num contexto em que a tecnologia é um facilitador de inovação. Com a crescente competitividade e exigência do setor, tirar partido dos dados como ferramenta de tomada de decisão é fundamental para encontrar soluções para temas mais complexos e, ao mesmo tempo, aumentar a eficiência da organização. E é precisamente isso que o ERP oferece. Este assume-se como uma ferramenta agregadora de informações que tem vindo a evoluir ao longo dos últimos anos. Atualmente, estão mais modernos, mais versáteis, multifacetados e permitem a colaboração e facilidade de utilização através da mobilidade de ferramentas de Social Media e até mesmo de plataformas mais tradicionais. Possibilitam, cada vez mais, ferramentas intuitivas de reporting, dado os avanços nos sistemas de compressão, armazenamento e utilização da quantidade de memória disponível, ao mesmo tempo que a distribuição computacional permite um processamento em tempo real, bem como uma análise mais aprofundada de fontes de dados, tanto internas como externas.

Por outro lado, mecanismos de machine learning e Inteligência Artificial são também complementares à tecnologia ERP para traçar perfis e efetuar previsões de enorme exatidão sobre o comportamento dos seus clientes, com recurso a dados casuais, como é o caso da pesquisa na web. Desta forma, a correta análise e interpretação dos dados fornece às organizações um conjunto de insights valiosos para o desenvolvimento do seu negócio, desde a capacidade para reduzir riscos, maior vantagem competitiva, maior engagement dos colaboradores até à definição da sua estratégica com maior rigor. Quanto mais profunda for a compreensão dos dados de uma organização, ou seja, quanto maior literacia de dados uma organização tiver, maior e mais exato será o seu impacto nas decisões, o que beneficia a relação com o consumidor final e os processos internos.

Como consequência do acelerado ritmo da evolução das exigências e interações com clientes, está a ocorrer uma visível pressão para que os retalhistas adaptem novas estratégias ao seu negócio. Este objetivo é apenas possível através da adoção de ferramentas de ERP, que permitem analisar grandes volumes de dados, a uma velocidade nunca antes imaginada, permitindo às organizações a obtenção de informações relevantes para a gestão em tempo útil, melhorando e tornando mais fiáveis os processos de decisão.

Neste sentido, podemos identificar os seguintes pontos, de uma forma resumida, como os principais benefícios do ERP para Indústria do Retalho:

  • Relatórios de rentabilidade de vendas por produtos;
  • Relatórios de stocks;
  • Aumento garantido na automatização dos processos;
  • Maior precisão de custos, o que ajuda na tomada de decisão estratégica e determinação de preços;
  • Maior controlo de despesas;
  • Informações e relatórios em tempo real;
  • Integração de processos, o que aumenta a credibilidade nas informações;
  • MRP (Manufacturing requirements planning) e CRM (Customer Relationship Management) já integrados;
  • Rápido retorno do investimento.

Esta informação é assim fundamental para que sejam criadas ofertas personalizadas para os clientes, ou até mesmo para antever tendências de mercado e trabalhar a proposta de valor para responder às suas necessidades. Desta forma, as empresas ao terem esse conhecimento irão conseguir estabelecer uma relação muito mais próxima com os seus Clientes. Por outro lado, internamente, através de um sistema de gestão moderno, que abrange diversas situações, as empresas de retalho conseguirão otimizar, de forma clara, as suas operações, reduzir custos e apostar na diferenciação e diversificação, distinguindo-se assim da sua concorrência.

Assim podemos concluir que as empresas da indústria do retalho de sucesso serão aquelas que melhor e mais depressa anteciparem esses novos hábitos, criando experiências e ofertas que os invoquem e reforcem. Os retalhistas que hoje têm a capacidade elevada de analisar os dados dos clientes são com toda a certeza aqueles que, no futuro, serão capazes de lançar e testar novos conceitos e ideias mais rapidamente. Serão aqueles que mais conseguirão satisfazer as necessidades de um determinado cliente ou entregar, de forma eficiente e irrepreensível, a mercadoria a outro. E, como tal, serão os mais bem-sucedidos.