Retenção de talentos: será apenas uma
questão de visão de mercado?

Reter talento e reforçar competências é um processo difícil e que consome bastante tempo às organizações

Está na ordem do dia falar-se em talento, na retenção de talento ou na identificação e recrutamento de pessoas. O Talento passou, recentemente, a fazer parte do vocabulário de, praticamente, todos os gestores. Para muitos, assistimos a tempos de enormes transformações, especialmente, no mundo das tecnologias de informação, no qual a mudança é já parte integrante e todos nós temos de nos adaptar, sobretudo, nas questões de recrutamento e gestão de pessoas, que têm vindo a modificar-se. Reter talento e reforçar competências é um processo difícil e que consome bastante tempo às organizações.

Atualmente, verifica-se, em Portugal, neste setor uma dinâmica muito elevada no que diz respeito à contratação, fazendo com que a maior dificuldade seja mesmo recrutar, ao contrário da generalidade do resto dos setores. Segundo um estudo realizado pela Hays, 78% dos empregadores nacionais que operam no sector das Tecnologias de Informação referem que o mercado português tem escassez de profissionais qualificados na área.

De facto, o mercado quer contratar, mas encontrar os profissionais certos, com as competências certas para a área das tecnologias de informação está longe de ser uma realidade. Apesar de existir uma preocupação em aumentar o número de vagas e cursos nestas áreas, a percentagem de licenciados é ainda significativamente insuficiente para dar resposta à enorme quantidade de vagas existentes.

Neste sentido, é possível verificar-se que a o setor das TI, é uma área de pleno emprego em Portugal, onde as empresas são cada vez mais exigentes nos perfis que recrutam, procurando sobretudo profissionais operacionais, com dois a cinco anos de experiência, capazes de chegar e produzir de imediato. E, sem dúvida, este é um tipo de perfil difícil de encontrar disponível em Portugal, sendo que a inexperiência dos profissionais disponíveis é, para nós empresas de TI, a maior dificuldade no momento de recrutar. Poder-se-á dizer que os melhores profissionais estão assim integrados em projetos suficientemente aliciantes para os reter ou que apostaram em carreiras internacionais.

Segundo a Comissão Europeia, em 2020, estima-se que fiquem 15 mil vagas por preencher em Portugal, no setor das TI, caso não sejam tomadas as medidas concretas que permitam inverter a escassez de perfis qualificados nesta área. Esta situação deve-se, sobretudo, à desadequação dos cursos superiores em relação às reais necessidades das empresas, bem como devido à falta de formação específica, acrescida pela fraca interação entre as Empresas e as Universidades. Tal como a Hays refere no seu estudo, o problema não está na quantidade dos alunos licenciados, mas sim, na qualidade com que são formados.

Assim, existem dois tipos de problemas associados: a falta de formação específica e adequada e a falta de talentos disponíveis para integrarem nas organizações. Quanto ao primeiro, é iminente estabelecer uma maior ligação entre as empresas e as universidades, de modo a que estas consigam oferecer aos seus alunos, uma formação mais aproximada do que é, exatamente, a realidade das organizações. Em contrapartida, é também necessário inovar no setor de ensino, sobretudo, destas áreas menos procuradas e que, num primeiro instante, parecem menos atrativas, de forma a se conseguir atrair e captar jovens para o setor das TI.

No que à falta de talento diz respeito, é essencial que as empresas procurem se reinventar, criando novas formas de cativar e reter estes novos talentos, uma vez que estes acabarão por ser constantemente alvo de aliciamento por parte das grandes multinacionais. Por outro lado, é também relevante que se considere a hipótese de requalificação das competências dos indivíduos, para que seja possível reduzir os números de desemprego e, em compensação, responder à enorme procura por profissionais de TI que se tem verificado nos últimos anos. Não só há pleno emprego, como os candidatos estão mais negociadores e já não se movem apenas pelo salário, querendo assim conhecer o projeto, a posição da empresa no mercado face à concorrência e quais são as opções de progressão na carreira. Desta forma, para além de necessário, é urgente colmatar estes dois problemas existentes no mercado de trabalho.

Neste contexto, prevê-se que os próximos anos serão bastante desafiantes, para as organizações, no que à captação de perfis de TI diz respeito, pois estas terão de reformular as suas estratégias de recrutamento e até mesmo os seus processos de trabalho. E a sua empresa? Está preparada para o recrutamento 4.0.

Presidente da Ábaco Consulting,

Publicado por Dinheiro Vivo, João Moreira, 06 de Fevereiro 2019.

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